SOBRENOME “MEIRA LINS”
A união entre Antônio de Pádua Gonçalves Meira (1835 – 1891) e Rosalina Lins Wanderley (1832-1917), deu início a atual Família Meira Lins.
Ele nascido em Barreiros, Pe. e ela em Rio Formoso, Pe.
Tiveram 3 filhos: Antônio de Meira Lins, José de Meira Lins e João de Meira Lins.
Antônio de Meira Lins, nascido em 1854 e falecido em 13 de abril de 1893, de Beribéri (*), com 39 anos. Deixou 1 filho, Armando de Meira Lins, com 2 anos de idade, e sua esposa Gertrudes Santiago Ramos, com apenas 19 anos, grávida de 3 meses de Maria Antônia de Meira Lins, que viria a nascer em 19 de outubro de 1893. Gertrudes faleceu em 1944, no Hospital de Alienados, com problemas mentais.
As duas crianças foram criadas pelos tios, João de Meira Lins e Aureliana, uma vez que a mãe, Gertrudes, também amparada, dependia financeiramente do marido, sócio de João nos negócios (**).
João era 5 anos mais novo que Antônio, tinha na época 34 anos de idade, e era casado com Aureliana Maria Lins desde 1884. À época do casamento, contava ele 25 anos de idade e ela, 30.
Os primos Francisco, Beatriz, Alice, Arthur e Maria, filhos de João, já eram nascidos. Posteriormente nasceram Oscar e Octavio, respectivamente em 1894 e 1895.
As crianças foram criadas como irmãos e só souberam que não o eram, por ocasião da matrícula escolar, momento em que foram apresentados seus documentos e a real filiação foi esclarecida.
(*) – Beribéri é uma deficiência de Vitamina B1.
(**) – Meira Lins & Co. Fundada em 1882, (Tinha como sócios: Antônio, José e João). Com a Morte de Antônio em 1893 e de José em agosto de 1901, foi transformada em firma individual: João de Meira Lins.
José, faleceu solteiro em 22/08/1901, com 44 anos de idade.
Aureliana faleceu em 18/09/1902 com 48 anos (Armando e Maria Antônia tinham respectivamente 11 e 9 anos) e quem assumiu cuidados pelas crianças foi a avó, Rosalina.
Rosalina faleceu em 11/05/1917.
Em 1913, João mandou os filhos para estudar na Europa: Oscar “deveria” ter ido para a Bélgica. É possível que tenha ido, porém, não foi encontrado nenhuma documentação dessa viagem. No entanto, existe uma viagem para o Rio de Janeiro onde casou com Irene Baltazar da Silveira em 29/01/1929, lá fixando residência até sua morte em 05/09/1951. Arthur preferiu o football, deslocando-se para Porto Alegre onde fez parte do time titular do Grêmio (Havia viajado para o sul do país em 1911, com 20 anos). Voltou para Recife e em 1919, associou-se ao pai, retornando a empresa o nome Meira Lins & Cia, desta vez, sob a direção de Arthur.
Viajaram então: Octavio com 18 anos para a Inglaterra e Armando com 23 anos para a Alemanha.
Francisco foi para Caruaru. Trabalhou também com açúcar, com firma própria. Casou com Afra Pimenteira.
João de Meira Lins, faleceu em 05/05/1932.
UM POUCO DE ARMANDO
Com 23 anos, já formado em medicina, João custeou seus estudos na Alemanha, onde passou pouco menos de 1 ano e teve que retornar ao Brasil devido a 1ª guerra mundial.
Nos anos de 1915/1916, Armando inicia no Rio de Janeiro as suas atividades profissionais, instalando consultório naquela cidade. Logo após, por motivos familiares, principalmente em virtude de doença da avó que o criara (Rosalina), regressa ao Recife, estabelecendo aqui em definitivo sua clínica especializada unicamente em pediatria.
Em 05 de setembro de 1919, com 28 anos, casou com Alzira de Amorim Loyo.
BIOGRAFIA PROFISSIONAL DE ARMANDO DE MEIRA LINS
Ocupante vários cargos públicos, em especial, o de "Diretor da Inspetoria de Hygiene Infantil do Departamento Geral de Saúde e Assistência do Estado de Pernambuco", por convite do Dr. Amaury de Medeiros, na administração do governador Sergio Lins de Barros Loreto, durante os anos de 1923 a 1925, cargo a que renunciou não somente por conflitos pessoais de ordem administrativa, como por interferir nas suas lides profissionais, voltando a dirigir o mesmo serviço nos anos de 1930/1931. Dentre outros postos, ocupou as funções de "Médico Verificador de Óbitos", da Diretoria de Higiene e Saúde do Estado, entre 1918-1922; "Inspetor Sanitário Bromatologista"; "Médico-Chefe da Liga Pernambucana Contra a Tuberculose Dispensário Octavio de Freitas e Secção Pediátrica Gota de Leite Lino Braga"; médico da "Liga Pernambucana Contra a Mortalidade Infantil" e do "Controle Clínico do Serviço de Vacinação pelo B.C.G. do Dispensário Modelo da Liga Contra a Tuberculose", nos anos de 1937 a 1960; Médico Chefe dos Serviços Pediátricos do Hospital do Centenário, da Maternidade do Derby, e do Hospital Infantil Manoel Almeida Alves de Britto, e dedicou-se a esta atividade profícua durante quase toda a sua existência, desde 1927, data da sua inauguração até poucos anos antes de falecer em 1960. Desenvolveu intensa atividade pedagógica como professor da Escolas Normal Pinto Junior, da Escola Normal Oficial, e da Faculdade de Medicina do Recife, depois Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco, lecionando naqueles centros as cadeiras de Higiene, Pedologia, Pedagogia, Antropologia, Psicologia e Clínica Pediátrica Médica e Higiene Infantil. Em 1927 prestou concurso de títulos e provas para Docente Livre da Cadeira de Clínica Pediátrica Médica e Higiene Infantil, e em 1950 para Professor Catedrático da mesma faculdade, passando a lecionar, quando livre-docente, cursos paralelos àquela especialidade. Sócio fundador da Sociedade de Pediatria de Pernambuco. Autor de vários trabalhos científicos e de amplitude social, publicados em teses, revistas, sociedades, clubes de serviço, etc, expressando a sua preocupação com o social, com os direitos e deveres da criança, principalmente a abandonada ou vadia, quando escreve: "A educação do nosso povo, ou melhor, sua preparação para a vida está por fazer-se, inteiramente. Sendo o primeiro problema de uma coletividade a tratar-se antes de todos os outros, e sendo para nós o mais premente, não foi ainda encarado como se faz mister. Contrista asseverar que a instrução mais elementar, o saber ler, apenas é pão que não coube ainda a todos os nossos patrícios" (Bol. Sem. Rotary Club do Recife nº 26, 1938), ou quando encara o problema dos menores vadios: "Por que não construir barracões rústicos, escolas ao ar livre para esses infelizes? Há falta de quem os ensine? Não. Qualquer moça de classe média que frequentou uma escola seria bem aproveitada para alfabetizar um grupo desses indivíduos tanto aqui nos arrabaldes como no interior do Estado. Construam, e custe o que custar essas escolas populares para os meninos que não têm blusas bordadas nem sapatos de solas, mas que eles as frequentem mesmo de tamancos e vestidos com as suas roupas caseiras, porque se vão aprender a ler deixarão de vadiar nas ruas. A falta de um lugar em que possam aprender as primeiras letras e a falta de oficinas onde adquiram um ofício para o ganha pão futuro faz com que esses indivíduos se tornem incapazes de adquirir um meio de vida seguro e duradouro. Da falta de instrução, da falta de frequência à escola e da vadiagem das ruas nascerá forçosamente a vagabundagem, a malandrice, a libertinagem e a delinquência. Se essa massa de desocupados fosse toda formada de indivíduos normais não se temeriam maiores consequências. Mas quem não está a pensar na possibilidade das anormalidades psíquicas de grande número desses abandonados e não concluir que isto é sementeira de crimes e dos futuros inimigos da sociedade? Por que não se previne essa doença social já conhecida, com as medidas aconselhadas pelos estudiosos da antropologia criminal enquanto o mal não irrompe impetuoso e irredutível? A escola primária obrigatória é o primeiro passo para a solução do problema" (Bol. Sem. Rotary Club, nº 28 de 20.01.37). Ou ainda, quando trata de "Os Direitos da Criança": "A criança não é um todo, é a unidade social em desenvolvimento. A expressão de quem se referiu ao homem como um desconhecido (Alexis Carrell), cabe melhor ainda à criança, pois ninguém neste mundo é menos conhecido do que qualquer menino. Ninguém é menos valorizado, apesar das loas que lhe tem dedicado em prosa e verso. Nasce hoje uma criança, que responsabilidade lhe cabe de ter vindo ao mundo? Eis o primeiro artigo de um código de direitos que deve definir o comportamento de alguém. Quem é esse alguém? Como chama-lo: homem de negócios, artista, médico, advogado, professor? Quem é ele enfim? (Bol.Sem. Rotary Club do Recife nº 16, 1948). Ou também quando aborda as "Vantagens dos Parques Infantis na Educação das Crianças": "Não se apercebiam os homens que, longe de ser o indivíduo um conjunto de músculos a serviço da força bruta, era ele formado de uma personalidade composta de três faces a serem cultivadas harmonicamente - a face física, a mental e a moral". "Demos conforto à criança e lhe haveremos ensinado a exigir dos poderes públicos esse mínimo de conforto ao qual todos nós temos direito" (Bol. Sem. do. Rotary Club do Recife nº 45, 31.05.1957, pg.244). Publicou ainda outros trabalhos: "Acetonemia e acidose na infância" - Tese para concurso de Livre Docente de Clínica Pediátrica Médica e Higiene Infantil, 1927; "Geografia médica da esquistossomose em Pernambuco", em colaboração - (Rev. Med. de Pernambuco nº 2, 1935); "Relações entre o médico e seus pacientes" - Rev. Med. de Pernambuco ANO 7 – 1937; "Fontes de contágio e meios de preservar a criança da tuberculose" - Anais da Liga Pernambucana Contra a Tuberculose – 1938; "Do contágio da tuberculose na criança. Qual a sua origem mais frequente no Norte do Brasil" - Jorn. de Med. de Pernambuco, nº 2 – 1940; "Grupos sanguíneos e índice étnico-bioquímico de Hirzfeld em escolares no Recife" - Tese de concurso para professor catedrático da Cadeira de Antropologia Pedagógica da Escola Normal Oficial de Pernambuco, atual Instituto de Educação de Pernambuco – 1941; "Considerações sobre o problema da criança" - Jornal. de Medicina de Pernambuco, nº 1 – 1946; "Os direitos da criança" - Bol. Sem. do Rotary Club do Recife, nº 16 – 1948; "Rotary e a juventude" - Tese Oficial do Rotary Club do Recife à 1ª Conferência do Distrito 45 – 1948; "Esquistossomose na infância em Pernambuco" - Tese de concurso para professor catedrático da cadeira de Clínica Pediátrica Médica e Higiene Infantil - 1950. Em 1925 publicou um "Decálogo Hygienico da Criança", antecipando-se em mais de 50 anos ao que seria a "Declaração Universal dos Direitos da Criança" publicada em 1986 pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Dotado de uma grande capacidade de antever os fatos médicos, advertia em aulas sobre os perigos do abuso imoderado dos antibióticos, prevendo a resistência e adaptação dos micro-organismos aos fármacos então existentes, como uma violência do homem ao ecossistema estabelecido. Armando de Meira Lins faleceu em 11/05/1960, com 68 anos, no Hospital do Centenário de "Caquexia. Uremia. Carcinoma da bexiga. Metástases", atestado do Dr. Costa Junior. Sepultado no Cemitério Público de Santo Amaro (Lv.40, fl.222, reg. 30.017 Cartório da 6ª Zona Judiciária das Graças).
SOBRE SUA ÚNICA IRMÃ CONSANGUÍNEA
Maria Antônia de Meira Lins, casou com Oswaldo Eugenio da Rocha Samico, em 11/02/1914.
Pais de:
Evaldo de Meira Lins Samico * (16/11/1921) + (26/06/1997)
Leda Meira Lins Samico * (01/05/1925) + (09/03/2019)
Ligia de Meira Lins Samico * (08/10/1926)
Gilvan José de Meira Lins Samico * (15/06/1928) + (25/11/2013)
Milton Meira Lins Samico * (12/06/1930) + (20/12/2002)
UMA MENSAGEM ATEMPORAL
OBRIGADO, JOÃO E AURELIANA!
Vocês foram os responsáveis por esse sucesso.
Pesquisa: Trabalho genealógico de Fernando Loyo de Meira Lins.
Compilação: Carlos Fernando Barreto de Meira Lins.
Revisão: Isadora Regina de Castro Silva Mota de Meira Lins.